As conquistas de Antônio Tenório, um dos maiores judocas paralímpicos do mundo

Desde sua estreia nos Jogos Paralímpicos de Atlanta, em 1996, até sua mais recente atuação paralímpica em Tóquio, Antônio Tenório sempre foi sinônimo de disputas emocionantes. O judoca brasileiro estreou com vitória, terminando no alto do pódio. Assim, ele conquistou aquela que seria a primeira medalha de ouro não apenas dele, mas do judô paralímpico brasileiro como um todo.

Desde os oito anos de idade, Antônio Tenório se dedicava ao judô. O jovem nasceu com a visão completa, mas quando tinha apenas 13 anos, Tenório brincava com os amigos quando uma semente de mamona atingiu seu olho esquerdo. O impacto causou um descolamento de retina, que o deixou sem a visão deste olho.

Cerca de seis anos mais tarde, uma infecção atingiu o olho direito de Antônio. Com isso, o judoca ficou totalmente sem visão, mas seu amor pelo esporte não esmoreceu. Assim, ele começou seu processo de adaptação para o judô paralímpico. 

A carreira de Antônio Tenório no judô paralímpico

Com apenas 26 anos, Tenório estreou em jogos paralímpicos em Atlanta 1996. Na ocasião, ele competiu na categoria B1 – para cegos totais – até 86 quilos. E logo em sua primeira participação, trouxe para casa o ouro paralímpico. Até aquele ano, apenas o atletismo e a natação tinham conquistado o local mais alto do pódio em paralimpíadas.

O paulista, natural de São José do Rio Preto, repetiu o feito mais três vezes: nos Jogos Paralímpicos de Sidney, no ano 2000, competindo na categoria 90 quilos; além de Atenas, em 2004; e de Pequim, em 2008, as duas já na categoria meio-pesado, ou seja, até 100 quilos. Com isso, Antônio Tenório se tornou o primeiro judoca da história a conquistar quatro ouros paralímpicos consecutivos. 

Contudo, essas não foram as únicas conquistas olímpicas do judoca. Em 2012, Tenório conquistou a medalha de bronze em Londres e em 2016, ele foi prata nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. 

No entanto, Tenório não possui vitórias apenas nas paralimpíadas. Além de suas seis medalhas, o judoca também conquistou os seguintes títulos:

  • Bronze no Mundial de Baku 2022; 
  • Bronze nos Jogos Parapan-Americanos Lima 2019; 
  • Ouro no Campeonato das Américas 2018, no Canadá; e em São Paulo 2017; 
  • Prata nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara 2011; 
  • Ouro nos Jogos Parapan-Americanos do Rio 2007.

Uma breve história do judô paralímpico

O Judô entrou para o programa oficial dos Jogos Paralímpicos em 1988, em Seul. Simon Jackson, do Reino Unido, ganhou o primeiro ouro paraolímpico na categoria até 60 quilos masculina. No entanto, o Japão foi o maior medalhista da edição, com seis ouros. O Japão, inclusive, é o maior medalhista da modalidade, com mais de 30 medalhas, sendo 12 de ouro, conquistadas.

Em Paris, os atletas competirão nas classes J1 e J2. Enquanto na primeira os atletas têm diferentes graus de deficiência visual, desde um pouco de visão até a cegueira completa, na segunda, todos os competidores têm apenas visão parcial. 

As regras do judô paralímpico funcionam de forma similar ao judô tradicional, no qual o atleta precisa arremessar, imobilizar ou travar seu oponente em partidas que duram até quatro minutos. O sistema de pontuação também é o mesmo, com o ippon sendo a pontuação máxima enquanto o waza-ari vale meio ponto. Em caso de empate, ocorre o Golden Score, no qual o primeiro atleta a pontuar ganha a partida.

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