Premier League: como será o início da era pós-Pep Guardiola?

Premier League: como será o início da era pós-Pep Guardiola?

Em um período de pouco mais de seis meses, cinco dos seis membros do Big Six trocaram de treinadores. Assim, Mikel Arteta, do Arsenal, acabou sendo o único remanescente de um trabalho de vários anos na Premier League.

Enzo Maresca, Xabi Alonso, Andoni Iraola, Roberto De Zerbi e o agora efetivado Michael Carrick iniciarão o que esperam ser suas primeiras temporadas completas no comando de equipes do Big Six. Aliás, cada um desses treinadores representa a priorização de certas características na escolha de seus respectivos clubes, mas a pressão é uma constante considerando o tamanho dessas equipes.

Então, vamos analisar os novos comandantes na Premier League e projetar a próxima temporada com odds da Sportingbet.

Protagonismo recente eleva a pressão

A identificação do Manchester City com Pep Guardiola se tornou algo tão natural ao longo dos últimos anos. Assim, mesmo numa equipe com grandes estrelas como Erling Haaland e Rodri, o treinador espanhol poderia ser considerado o grande nome desse clube por tudo o que representa.

Tendo reconhecido o tamanho de Guardiola, por mais histórica que tenha sido a passagem do espanhol pelo City, é importante lembrar que o sucesso dos Citizens vai além de seu trabalho. Afinal, o clube venceu múltiplas Premier Leagues com treinadores diferentes no período que antecedeu sua chegada.

O Manchester City segue com a maior folha salarial da PL e a contratação do meia Elliot Anderson por um valor recorde para um atleta inglês sinaliza toda a intenção desse clube em permanecer brigando no topo. Isso tanto na Inglaterra como na Europa de maneira geral.

Aliás, Maresca foi uma escolha natural no Man. City pela conexão que já tinha com o clube, tendo trabalhado como assistente de Guardiola na campanha da Tríplice Coroa há poucos anos. Além disso, ele teve múltiplos trabalhos de sucesso como treinador principal na Inglaterra.

Maresca subiu o Leicester à PL e, posteriormente, guiou o Chelsea aos títulos da Conference League e da Copa do Mundo de Clubes. Maresca foi o responsável pelo maior período de estabilidade dos Blues desde que os seus novos donos assumiram o comando do clube dentro de uma era, no mínimo, instável.

Enquanto isso, no Liverpool…

Andoni Iraola assume o Liverpool, que experimentou os dois extremos em um período curto após a saída de Jürgen Klopp. Afinal, venceu a PL no primeiro ano de Arne Slot e, depois, realizou uma campanha lamentável em 2025/26. Inclusive, os Reds flertaram com a possibilidade de não se classificar para a Champions League, embora eventualmente tenham ficado com a vaga.

Slot deu os primeiros passos na reformulação na era pós-Klopp, como evoluir imensamente Ryan Gravenberch, tornando-o um dos principais jogadores de sua posição na PL. Na hora de seguir em frente nessa transformação, o treinador holandês encontrou enormes dificuldades, preso entre mudanças mais radicais e uma confiança naquilo que deu certo no passado.

Iraola herda a equipe precisando dar continuidade a esse processo. Agora já sem Mohamed Salah, ele buscará extrair o melhor de nomes como Florian Wirtz e Alexander Isak — reforços milionários que ainda não conseguiram desempenhar o seu melhor futebol em Anfield.

Competir com o Arsenal, de Mikel Arteta, é desafiador. Afinal, os Gunners se encontram em um estágio bem mais avançado do que os demais, e, finalmente, chegam leves após a conquista de sua primeira PL nesta era.

Mesmo assim, Iraola e Maresca, por tudo o que têm à sua disposição e pelo que suas equipes atualmente representam, lidam com essa pressão. Em especial Maresca, que não deve ter de realizar uma reconstrução tão profunda na maneira de sua equipe jogar, conhecendo suas características.

Michael Carrick fez por merecer a continuidade

O Manchester United, de Michael Carrick, foi uma das equipes mais empolgantes da Premier League na última temporada. Não à toa, superou o início ruim com Ruben Amorim para garantir uma vaga na Champions League com folga. O mais otimista dos torcedores do Man. United pode até sonhar com voos mais altos na temporada 2026/27.

Alguns pontos, no entanto, justificam uma certa cautela em qualquer projeção do United. Temporada passada, Carrick herdou uma equipe eliminada de copas nacionais e fora de competições continentais. Assim, retirando qualquer pressão de rotação do elenco, atuando uma vez por semana.

Bruno Fernandes e Kobbie Mainoo permanecem como pilares, mas o meio-campo do United passa por uma certa reformulação após a saída de Casemiro e a falta de confiabilidade de outras peças no setor. Por exemplo, caso do lesionado Manuel Ugarte e de Mason Mount.

Andrey Santos é o único reforço confirmado para o setor e a equipe de Manchester chegou a perder alvos importantes, como o caso de Mateus Fernandes, que optou pelo Tottenham Hotspur. Youri Tielemans é outro nome que deve chegar após o Manchester United ativar a sua multa rescisória.

O sucesso da equipe na temporada passará em grande parte pela maneira como lida com essa reconstrução nesse setor.

Simplesmente manter-se no nível alcançado na temporada passada, lidando com um calendário bem mais pesado pela presença na Champions League e essas alterações no meio-campo, pode ser considerado uma temporada de sucesso para o Manchester United.

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Chelsea e Tottenham Hotspur dando poder aos seus técnicos

As escolhas anteriores do Chelsea deram errado. E, quando deram certo, no caso de Enzo Maresca, eventualmente também tiveram atrito suficiente para gerar uma troca. Os Blues agora optam por um caminho diferente, contratando o técnico mais renomado desde o início desse projeto e dando a ele o título de manager e não apenas de head coach, como vinham sendo os seus predecessores.

Alonso assume um time que despencou após a saída de Enzo Maresca a ponto de não se classificar para nenhuma competição europeia. A contratação de Marco Palestra, a tentativa de trazer Granit Xhaka e alguns outros movimentos mostram que a equipe londrina está disposta a bancar o seu novo técnico de uma maneira que simplesmente não esteve com outros nomes.

Possivelmente mais do que qualquer equipe no mundo, o Chelsea tem protagonistas querendo se provar após ficarem de fora da Copa por questões técnicas. Por exemplo, são os casos do brasileiro João Pedro e do inglês Cole Palmer. Andrey Santos foi vendido, mas uma notícia importante para o público brasileiro é o fato de Estêvão já estar recuperado da lesão, treinando com o grupo que já se apresentou para a pré-temporada.

E o Tottenham…

Vindo de duas temporadas seguidas de um completo fiasco, terminando na 17ª colocação, o Tottenham Hotspur escapou do rebaixamento graças a Roberto De Zerbi. E a equipe atendeu aos pedidos do italiano para retornar aonde quer estar.

Até esse período da janela, nenhuma equipe no futebol mundial gastou mais do que o Tottenham Hotspur. Os Spurs reconstruíram o meio-campo com as contratações de Sandro Tonali e Mateus Fernandes, as duas mais caras da história do clube.

Na defesa, o clube já confirmou a chegada de Marcos Senesi, Jan Paul van Hecke e Andy Robertson, também tendo vendido Luka Vuskovic para o Brighton. Todas as indicações são de que a equipe londrina está longe de parar, ainda buscando reforços em outros setores.

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