Por que Shaquille O’Neal ama o filme “Cidade de Deus” (e trabalhar em filmes)
A passagem de Shaquille O’Neal pelo Brasil, em março de 2026, por conta do seu projeto musical, rendeu boas entrevistas e respostas diretas, no estilo que sempre marcou a sua carreira. Entre análises sobre a NBA e conselhos para jovens jogadores, um tema inesperado ganhou espaço: o cinema brasileiro. E, mais especificamente, o filme Cidade de Deus.
Sem rodeios, Shaq, o “Monster Vice-President” (MVP) da Sportingbet, foi além de um elogio genérico. Afinal, ele colocou o longa como um dos seus filmes favoritos, algo que naturalmente chamou atenção. Trata-se de uma escolha pouco comum para alguém tão inserido na indústria do entretenimento dos Estados Unidos.
A resposta veio de forma simples, sem construção elaborada. Isso abriu espaço para entender melhor como esse interesse surgiu e por que ele se mantém.
Mais do que um elogio: Shaq conhece “Cidade de Deus”
O ponto mais relevante não é apenas a escolha, mas a forma como ele descreve o impacto do filme. Existe familiaridade com a obra e com o que ela propõe.
Assim, ao comentar o que viu em Cidade de Deus, Shaq resumiu a percepção de forma direta:
“Apenas me mostrou que todos os países são parecidos. Bairros, crianças, crianças tentando encontrar seu caminho, crianças se tornando homens, homens dizendo: ‘eu não quero fazer isso. eu quero fazer outra coisa’. Toda cidade é parecida.”
A leitura amplia o alcance da história. Os elementos apresentados no filme aparecem como situações recorrentes em diferentes contextos sociais, o que ajuda a explicar o nível de identificação.
O que o filme representa para Shaq
A conexão com Cidade de Deus também passa pela busca por entender o quanto aquela narrativa refletia a realidade.
“Eu nunca soube que aquilo acontecia no Brasil até conhecer um brasileiro e perguntar: ‘ei, ‘Cidade de Deus’ é real?’ Ele disse: ‘sim, você precisa ir às favelas’.”
Essa curiosidade foi seguida por uma experiência prática, ainda que limitada: “E da última vez que estive aqui, nós não entramos, mas passamos de carro. E eu fiquei tipo: ‘uau, é real mesmo’. Então, foi interessante para mim.” O contato, mesmo superficial, reforçou a percepção de autenticidade e aumentou o impacto da obra.
Uma relação rápida, mas real, com o Brasil
Embora o foco esteja no cinema, a relação de Shaquille O’Neal com o Brasil ajuda a contextualizar essa escolha. Não é algo profundo a ponto de dominar a narrativa, mas também não é inexistente.
Ele relembrou um primeiro contato marcante com Vitor Belfort:
“O primeiro brasileiro que conheci foi um cara que eu pensei que ia ter que lutar enquanto caminhava no Havaí, esse cara pula nas minhas costas e me dá um mata-leão… o nome dele era Vitor Belfort.”
No esporte, a percepção segue a mesma linha:
“Eu sei que os brasileiros são durões. eu sei que eles são implacáveis e sei que eles enfrentam qualquer desafio.”
E o interesse também aparece na música. Ao ser questionado, ele respondeu:
“Meu grupo de rap brasileiro favorito é o Racionais Mc ‘s, sim, sim, Racionais, eles são meu rap favorito.”
São elementos pontuais, mas suficientes para indicar um contato real com a cultura brasileira.
Do basquete para Hollywood: como começou no cinema
A entrada de Shaq no cinema aconteceu de forma direta, sem planejamento de longo prazo. Ele próprio já deixou claro que não tinha como objetivo se tornar ator.
“Estar nos filmes não foi algo que eu sonhei quando eu era criança, mas quando você mora em Los Angeles você conhece muitas pessoas, então um dia eu conheci um cara e ele me perguntou se eu queria estar em um filme. Eu disse que não queria estar no filme, mas ele disse que me pagaria 10 milhões de dólares, então eu disse ‘sim, eu quero estar em um filme’.”
A decisão seguiu uma lógica simples. A oportunidade apareceu e foi aproveitada. A partir daí, as participações se tornaram mais frequentes, criando uma presença constante fora das quadras.
Entre críticas e impacto: o caso de “Kazaam”
Um dos exemplos mais conhecidos dessa fase é Kazaam. O filme teve recepção dividida, mas encontrou espaço junto ao público mais jovem.
“E foi um filme para crianças, muitos adultos falaram mal dele, mas muitas crianças foram inspiradas pelo filme.”
A fala resume a forma como Shaq enxerga esse tipo de projeto. O impacto gerado importa mais do que a avaliação crítica. Além disso, levou Shaq para novos públicos, que não necessariamente acompanhavam a sua carreira no basquete.
Por que trabalhar com filmes faz sentido para Shaq
Com o tempo, o cinema passou a ocupar um espaço mais consistente na trajetória de Shaquille O’Neal. A visão dele sobre oportunidades ajuda a entender esse movimento:
“Quando você é jovem e não tem muitas oportunidades e as oportunidades aparecem no seu caminho, eu sempre digo para as pessoas aproveitarem suas oportunidades com respeito.”
Essa lógica se repete fora do basquete. Experimentar novos caminhos, ampliar a atuação e manter relevância em diferentes áreas. Por conta disso, hoje mais do que um atleta aposentado, ele pode ser considerado um grande comentarista esportivo, DJ e ator.
Quando o cinema encontra a vivência de Shaq
O interesse de Shaquille O’Neal por Cidade de Deus se encaixa de forma natural na sua trajetória. A forma como ele interpreta a obra está ligada à própria experiência com ambientes competitivos, pressão e tomada de decisão.
O cinema aparece como mais um espaço para explorar esse tipo de narrativa, agora fora do contexto esportivo. A escolha pelo filme brasileiro ganha força dentro dessa lógica. Existe coerência entre o que ele valoriza e o tipo de história que o marcou.
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